This issue is also available in English.
Olá, amigue! Tô muito feliz em te ver aqui. Essa é a primeira edição da How Kind, onde prentendo espalhar gentileza, uma newsletter de cada vez.
Eu sou o Mateus - um designer de produto focado na ética tecnológica. Recentemente fechei um jornada de 5,5 anos trabalhando com design systems na Netflix e tô muito animado pra buscar novas oportunidades como esta publicação!
Toda semana (mais ou menos) vou compartilhar algumas coisas que tô pensando, amando, trabalhando, ouvindo e vendo, com foco em design, tecnologia, ética e também na vida em geral. Mais importante do que isso, espero iniciar uma conversa com você e outros leitores. Pra isso, também adoraria saber no que você tem pensado – me escreva no howkind@mateusdasilva.com ou responda diretamente usando os comentários no final desse post.
Como essa edição é toda sobre começos, que tal começarmos falando sobre começar.
Como começar qualquer coisa (E por que a produtividade é anti-humana)
Já é clichê falar sobre a paralisia que sentimos ao olhar pra uma página em branco, uma montanha de tarefas, uma pia transbordando de louça suja, uma nova série de exercício, ou aquele projeto que temíamos começar – e agora ele é pra amanhã. Há algo muito universal nessa sensação, quando sabemos que "deveríamos" estar fazendo outra coisa, mas por algum motivo essa coisa ganhou vida própria e está nos seguindo como uma sombra ameaçadora.
Parte do motivo pelo qual sentimos isso é porque a sociedade nos vende a mentira de que precisamos ser produtivos o tempo todo. Somos constantemente bombardeados por influenciadores e líderes de pensamento que dizem que o segredo do sucesso é otimizar seu tempo em todo momento; tornar-se impiedosamente eficiente; e, claro, usar as ferramentas mais modernas e avançadas pra ir mais rápido, mais longe, e mais forte do que você conseguiria só com seu cérebro humano e suas mãos delicadas.
A questão é que somos humanos, não máquinas. O conceito de produtividade está relacionado, entre outras coisas, ao surgimento das linhas de produção lideradas por máquinas na Revolução Industrial e ao impacto do fordismo em um sistema econômico baseado na produção em massa, consumo em massa, e linhas de montagem em massa. Desde então, o tédio e lazer têm sido rotulados como indesejáveis, sugando o tempo precioso que poderia ser usado pra ser produtivo. Criar pelo prazer de criar, pelo prazer do ofício, em vez de otimizar pra máxima eficiência ou pro ganho - isso tudo acaba sendo visto como preguiça. Qual o sentido se você não está se esforçando?
Se algo disso ressoar com você, convido você a tirar um momento hoje e se fazer estas perguntas quando sentir a pressão de ser produtivo:
- A velocidade realmente me ajuda aqui? Pra onde tô correndo?
- Já sentei o suficiente no meu tédio ou relaxamento hoje, sem tentar preencher esse tempo com a "produtividade"?
- Me senti mal por ser "preguiçoso" ou "improdutivo" hoje? O que está me fazendo sentir assim?
Espero que fazer essa reflexão te dê a chance de começar a se distanciar da pressão constante de estar sempre produzindo.
Agora, como precisamos completar certas tarefas diariamente, quero compartilhar uma estratégia que mudou minha vida. É bem simples:
- Escolha uma única tarefa que você precisa completar hoje.
- Prepare-se pra essa tarefa (seja sentar na sua mesa, abrir seu caderno, pegar um livro, calçar seus tênis de corrida, etc).
- Coloque um alarme pra 5 minutos. Sim, só 5 minutos. A curta duração é fundamental pra ajudar a combater a resistência de começar.
- Por 5 minutos, foque nessa tarefa e em mais nada até o tempo acabar.
É isso.
5 minutos podem parecer nada. Mas acredite, isso é sobre "enganar" seu cérebro. É sobre criar impulso.
Não tem como você falhar. Depois que o cronômetro acabar, um de dois cenários acontecerá: você se sentirá motivado e energizado o suficiente pra colocar outro alarme de 5 minutos (ou a duração que você escolher) nessa tarefa; ou pode considerar o suficiente por hoje, e isso ainda significa que você fez uma pequena parte da tarefa, em vez de nada.
Progresso é progresso. Você ainda estará mais avançado hoje do que ontem. Lembre-se: "uma jornada de mil milhas começa com um único passo." Tente aí e me diga o que achou :)
O que tem me inspirado
Article: Why saying hello to strangers can be good for you
Um simples reconhecimento de um ser humano faz maravilhas pra melhorar meu humor e senso de comunidade.
Antes de irmos
Tem uma pergunta pra mim? Algum tema quente em mente? O que achou dessa newsletter? Eu adoraria tornar isso em uma conversa e construir uma newsletter construída com perguntas e temas enviados por leitores. Comente abaixo ou escreve pra howkind@mateusdasilva.com :-)
Gentilmente seu,
Mateus Da Silva
🎷 Esta foi a edição #1 da How Kind. Está gostando da newsletter? Considere assinar gratuitamente (ou fazer um upgrade pra uma assinatura paga) ou mandar uma gorjeta!