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Além da minha carreira como designer, sou músico – minha outra paixão na vida. Toco saxofone desde a banda sinfônica do ensino fundamental (sei que outros estāo lendo!!). Como parte da minha trajetória musical, tive o privilégio de participar de um acampamento de saxofone chamado Inside Outside Retreat algumas vezes nos últimos anos. Há muitas lições dessa experiência (além das musicais) que ficaram comigo, e tô animado pra compartilhá-las em futuras edições da How Kind. Hoje, tô compartilhando uma que está resumida na foto acima.

Era uma vez, no acampamento de saxofone...

O retiro acontece no meio do nada, no Tennessee, EUA. Além de ser um retiro musical, um grande foco do acampamento é a natureza – nos levar de volta às nossas raízes (hehe) ao fazer contato com as árvores, os animais, e os sons ao nosso redor. Pra chegar no acampamento, você eventualmente sai da estrada e entra em um estrada de terra, e depois de 15 minutos descendo por uma área florestal infinita, pode começar a pensar que se perdeu. Mas então, quando toda esperança está quase perdida (ou seja: você quer checar o GPS só mais uma terceira vez), uma placa aparece no meio do caminho: You are not lost. Keep going. - Você não está perdido. Continue.

O caminho é seguir

Se você for como eu, tem momentos toda semana em que você se sente perdido. Como se você estivesse apenas seguindo as velhas rotinas, e achando difícil ver algum progresso real (ou, ouso dizer, ver a floresta pelas árvores? Hein?).

E especialmente com a conversa incessante sobre a "inevitável invasāo global da IA" no último ano, venho me perguntando se o caminho que estou seguindo é o certo.

  • O que eu deveria estar estudando agora?
  • Qual habilidade ou ofício devo aprimorar?
  • Que nova ferramenta devo adotar?
  • Devo tentar fazer um curso de IA? Um programa de pós-graduação?
  • Meu trabalho vai ficar obsoleto? E eu?
  • Estou fazendo o suficiente?
  • Estou acompanhando meus colegas?

Talvez algumas dessas perguntas te soem familiares. Eu sei pessoalmente como é difícil até começar a enfrentá-las além das suas responsabilidades diárias no trabalho e em casa. Como podemos ser obrigados a nos tornar especialistas em uma nova área da noite pro dia?

Não tenho uma resposta clara pra isso. Mas quero reconhecer que você, ou eu, ou seus colegas, não estāo sozinhos nessas inseguranças. Nos sentindo impostores. (Bom, dei uma palestra inteira sobre o síndrome do impostor junto com minha melhor amiga alguns anos atrás. Então pode-se dizer que tenho experiência na área de autocríticas.) Tudo que sei é que o segredo é continuar em frente. Você tem que continuar. Não importa o quão inútil, bobo ou desanimador pareça. Especialmente quando é difícil enxergar a luz no fim do túnel.

A indústria está cada vez mais dependente da velocidade, de soluções imediatas e retornos sobre o investimento. O aumento de uma assistência instantânea, disponível ao nosso alcance, obtida de ferramentas de LLM não-totalmente-confiáveis, só está piorando a situação. Estamos transferindo todas as dificuldades e inconveniências para essas ferramentas.

Mas acredito que o esforço de percorrer o caminho, de se sentir perdido, é o caminho; o caminho é seguir. É assim que aprendemos, nos permitimos tentar, brincar, aprender, crescer e aprimorar nossa arte.

E sei que uma coisa é dizer tudo isso – e outra é encarar a dura realidade diária de lutar pra encontrar um emprego, se reajustar depois de ser demitido, sentir que está ficando para trás em relação à indústria... Eu sei bem como é a pressão e a pressa que isso cria. Todos têm direito à estabilidade e à sensação de segurança.

Espero que essas palavras ao menos nos lembrem que não estamos sozinhos. Espero que quanto mais pudermos ter essas conversas e nos apoiarmos, mais seguros possamos nos sentir em nossos próprios caminhos.

Você não está perdido. Continue.


Se você tiver mais uns minutinhos

Confira meu novo artigo longo: Você é um especialista
Lembrando que você está exatamente no lugar certo.


Antes de irmos

Obrigado a todo o apoio na primeira edição da How Kind na semana passada. Você acredita que já temos 50 inscritos? :') Muito obrigado a cada um de vocês, do fundo do meu coração.

Minha missão é fazer disso uma conversa verdadeira, então, por favor, me conta o aí - tem uma pergunta para mim? Um tema quente na sua mente? O que achou dessa newsletter? Comente abaixo, compartilhe com amigues que acha que podem achar interessante, ou escreva pra howkind@mateusdasilva.com :-)

Gentilmente seu,
Mateus Da Silva


🎷 Esta foi a edição #2 da How Kind, espalhando gentileza, uma newsletter de cada vez. Aqui você pode encontrar todas as ediçōes. Está gostando da newsletter? Considere assinar gratuitamente (ou fazer um upgrade pra uma assinatura paga) ou mandar uma gorjeta!