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"Esse texto de hoje chegou num dia em que eu particularmente estava precisando ler exatamente isso - brigada <3" - leitora da How Kind


Espero que você esteja tendo uma ótima semana até agora, onde quer que esteja no mundo. Só queria começar dizendo - obrigado por estar aqui. Fiquei muito emocionado com a resposta que recebi até agora pela newsletter. O sentimento mais recorrente que tenho ouvido é sobre o quão honesto, genuínas, revigorantes, e necessárias essas palavras são (tô ficando com vergonha!!).

Ah, como subestimei o poder de simplesmente ser genuíno! Somos cobertos o dia todo por posts cuidadosamente elaborados nas redes sociais. Eles estão sendo adaptados de acordo com o que o algoritmo vai gostar mais (o que muda o tempo todo de qualquer forma) – não necessariamente pensando no que mais vai ressoar com humanos reais. E quando tentamos falar claramente, diretamente com as pessoas... Quem diria que isso ressoaria mais?

É o velho ditado – seja você mesmo! Mas o que isso realmente significa?

Que tal se a gente acabasse com a fala corporativa?! As palavras da moda! As últimas tendências! Os "let's circle back", ou "ROIs" ou "OKRs" ou "0-1" ou "Espero que este e-mail o encontre bem"! Todos esses termos em inglês! Podemos ser pessoas de verdade de novo?

No meu tempo trabalhando em g r a n d e s c o r p o r a ç õ e s, percebi como tudo pode parecer performático às vezes. Quando entrei no mercado, eu estava ansioso pra ser aceito, pra provar que pertencia ali. Nas minhas conversas individuais, todos me tranquilizavam dizendo que sim, eu pertencia - por serem pessoas acolhedoras, gentis e autênticas. Senti que eles estavam falando diretamente comigo, sendo eles mesmos de verdade.

Pula pras primeiras reuniões que tive em grupo, e tudo mudou.

Em um ambiente de grupo, especialmente com alguém da liderança presente, era quase como se todos tivessem passado a interpretar personagens completamente diferentes. Eles usavam todo o discurso corporativo, todas as formalidades, e muitas, muitas siglas internas que ninguém parou pra me explicar ou e pros outros novatos. Isso nos fez sentir excluídos ("othered") – imediatamente nos afastou, já que não sabíamos o idioma. E como eu estava tentando assimilar e pertencer, achei que era assim que eu também precisava agir.

O que acaba acontecendo é que você tenta preencher o espaço com muita firula. Muitas palavras técnicas que soam impressionantes. Mas no final, sua mensagem fica mais confusa e prolixa do que qualquer outra coisa.

Ao longo dos meus anos no mercado, nunca me pareceu natural adotar esse vocabulário ou tentar desempenhar um papel que não fosse meu. Achei que essa era a única forma de fazer as pessoas me perceberem como capaz, inteligente e como se eu pertencesse àquele lugar.

Mas havia algumas pessoas ao meu redor que resistiram – e ainda assim estavam arrasando e se comunicando claramente. Na verdade, foi a autenticidade deles que os tornou bem-sucedidos e lhes deu uma voz única. Essas pessoas eram prova de que eu podia ser eu mesmo e ainda assim ter sucesso! De fato, ao longo da minha carreira, me disseram que é minha personalidade honesta e genuína que me diferencia, que conforta as pessoas, e (quando estou ensinando) que faz as coisas finalmente fazerem sentido pra elas.

Essa é a vida real?

Vale lembrar que tudo o que vemos online é baseado no que mais agrada aos nossos senhores algorítmicos; eles fazem uma curadoria de uma versão extrema da realidade, não da realidade real. E isso vale também pra forma como falamos online. Se um post usando linguagem técnica e palavras "profissionais" gera muito engajamento – é isso que o algoritmo vai preferir. E quando isso acontece o suficiente, começamos a acreditar que é assim que devemos falar também.

Em sua TED talk Why Are People Starting to Sound Like ChatGPT? (Por que as pessoas estão começando a soar como o ChatGPT?), o linguista Adam Aleksic afirma que:

"Essas não são ferramentas neutras. Tudo o que aparece no seu feed de redes sociais ou nas respostas do chatbot é, na verdade, filtrado por várias camadas do que é bom para a plataforma, do que gera dinheiro e do que se encaixa na ideia errada da plataforma sobre quem você é."
Um diagrama mostra um funil ilustrando como o conteúdo é filtrado na internet. Todo o conteúdo potencial é filtrado por conteúdo, engajamento e personalização, e o que você vê no final é baseado em conteúdo aceitável e lucrativo para a plataforma.
Diagram por Adam Aleksic, de Why Are People Starting to Sound Like ChatGPT?.

E em um mundo onde as pessoas começam a soar da mesma forma, graças em grande parte à influência da IA Gerativa na forma como falamos, isso significa que estamos começando a pensar da mesma forma também.

Então vamos reforçar a realidade real falando de forma clara, honesta e autêntica. Vamos abandonar as máscaras que achamos que precisamos vestir porque é o que o algoritmo está nos mostrando. Por favor, não esqueça – você tem uma voz! E é diferente de cada pessoa por aí. É quando nos reunimos e combinamos nossas perspectivas (e nossas vozes!) que o melhor trabalho é feito.

Sei que, em muitos casos, isso é mais fácil falar do que fazer. Reconheço as muitas razões pelas quais mudamos a forma como falamos e mascaramos nosso verdadeiro eu. Existem questões sistêmicas profundas em nossa sociedade por causa do capitalismo, da opressão, do racismo, do machismo, do colonialismo, etc., que fazem com que as pessoas não tenham escolha a não ser assimilar. Frequentemente, pode significar a diferença entre vida ou morte, segurança ou medo, sucesso ou instabilidade.

Então, dentro dos seus limites, convido você a pensar nas máscaras que você se vê usando todos os dias. Como elas afetam a forma como você compartilha seus pensamentos, suas ideias, sua voz com os outros? O que significaria usar sua voz honesta e autêntica? Como podemos ser mais honestos na forma como interagimos com o mundo todos os dias?

E convido os líderes por aí, as pessoas com uma plataforma, com influência – usem sua voz autêntica. Mostre pras pessoas que te admiram que é possível e aceitável. Você tem uma voz, e deveria usá-la. É isso que as pessoas querem ouvir!

Vamos todos tentar falar de forma mais clara, direta, honesta e sem atuação.

Não se esqueça de que você tem sua própria voz única. Não deixe nada, nenhum bot, ou qualquer outra pessoa tirar isso de você.


Se você tiver mais alguns minutinhos...

Confira meu novo artigo longo: Você é um especialista.
Lembrando que você está exatamente no lugar certo.


Antes de irmos

Muito obrigado por ler, do fundo do meu coração. Um agradecimento especial e enorme aos meus assinantes pagos.

Minha missão é fazer disso uma conversa verdadeira, então, por favor, compartilhe o que está pensando! Tem uma pergunta pra mim? Um tema quente em mente? O que acham desse artigo? Comente abaixo, compartilhe com amigues que acha que podem achar interessante, ou escreva para howkind@mateusdasilva.com :-)

Gentilmente seu,
Mateus Da Silva


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